Má digestão da lactose: quais são os graus existentes?

0800 016 5678 - 8h às 17h | Segunda a Sexta

BLOG

Má digestão da lactose: quais são os graus existentes?


Você sabia que a má digestão pode levar a intolerância? Isto porque uma é reflexo da outra. Para entendermos melhor sobre o caminho percorrido deste açúcar do leite até nosso intestino e o que acontece quando para que tenhamos uma má digestão, precisamos entender algumas coisas antes, vamos lá?

 

Ouça o episódio do ApsenCast sobre intolerância à lactose:

 
 

 

O que é lactose?

Como já mencionamos no artigo anterior (clique aqui) A lactose é um carboidrato que dá o gosto adocicado ao leite de origem animal.

 

Essa molécula é transformada em energia pelo nosso organismo, para abastecer nossas células, mas para que isso aconteça, a lactose precisa ser quebrada em duas partes menores em nosso intestino, que facilitam a sua absorção. Assim, a lactose é transformada em galactose e glicose, e a responsável por essa “quebra” é a enzima lactase.
 

digestão da lactose

 

Quando acontece a má digestão e a intolerância à lactose?

Em 2017 a ANVISA publicou um material específico para a Rotulagem da Lactose, onde aponta que na maioria dos mamíferos, a atividade da enzima lactase diminui após o desmame. Esse é um fenômeno normal, geneticamente programado e irreversível, conhecido como hipolactasia primária ou lactase não persistente.

 

Quando a pessoa com hipolactasia primária ingere alimentos contendo lactose, uma parte deste açúcar não é digerida e atinge o cólon. Ela é degradada em ácidos láctico, acético, hidrogênio e dióxido de carbono pelas bactérias intestinais e não produz a enzima lactase. Essa situação é denominada de má digestão de lactose.

 

A partir do momento que sintomas abdominais começam a aparecer (ex. dor e distensão abdominal, flatulência, diarreia, náusea, vômitos ou constipação) em função da má digestão é que se caracteriza a intolerância à lactose, por isso não é considerada como alergia alimentar.

 

Estima-se que no Brasil cerca de 43% das pessoas têm alelo de persistência da lactase.

 

Diferenças da hipolactasia primária e secundária

 

É importante distinguir entre a hipolactasia primária e causas secundárias de má digestão de lactose, como: doenças celíacas, enterite, doença de Crohn, entre outras.

 

hipolactasia primária também deve ser diferenciada da deficiência congênita de lactase, uma doença com herança autossômica recessiva que afeta bebês desde o nascimento. Ela está relacionada ao “desligamento” da enzima lactase pelo gene MCM6, que é a proteína de manutenção mini-cromossomo altamente conservadas que são essenciais para o início da replicação, após os primeiros anos de vida.

 

A queda de atividade da lactase é gradual e associada à interação com outros genes e hábitos alimentares. Portanto é difícil estimar a idade em que a atividade se tornará insuficiente e os sintomas da intolerância à lactose irão surgir.

 

A ingestão da lactose é importante!

A sua ingestão também reduz o pH intestinal, regula o intestino e aumenta sua resistência, além de proporcionar uma melhor absorção de nutrientes como o cálcio, magnésio, zinco e manganês.

 

Mas além dos já conhecidos leites e seus derivados, existem outros alimentos que possuem este carboidrato do leite – em uma menor quantidade – e você nem sequer desconfia, e a incapacidade de digerir o açúcar lactose desses alimentos devido a uma deficiência da enzima digestiva lactase, provocará diarreia e cólicas abdominais, levando o paciente ao quadro de intolerância.

Efeitos da má absorção alimentar

Os alimentos são digeridos e os nutrientes são absorvidos e entram na corrente sanguínea, sobretudo no intestino delgado. A má absorção pode ocorrer se um distúrbio afetar a digestão de alimentos, a absorção de nutrientes, com isso a pessoa pode desenvolver alguns problemas digestivos como:

 

  • Distúrbios que impedem a mistura adequada dos alimentos com as enzimas digestivas e ácidos gástricos
  • Produção ineficiente de enzimas digestivas
  • Redução da produção de bile
  • Excesso de ácido gástrico
  • Crescimento de bactérias inadequadas no intestino delgado

 

Em alguns distúrbios, o corpo produz quantidades ou tipos inadequados de enzimas digestivas necessárias à decomposição dos alimentos.

 

A absorção de nutrientes na corrente sanguínea pode ser afetada por distúrbios que lesionam o revestimento do intestino delgado, remoção cirúrgica de uma parte grande do intestino delgado ou até de distúrbios que afetam o fluxo do líquido linfático do intestino.

 

Distúrbios que afetam o fluxo de líquido linfático do intestino para a corrente sanguínea, como má formação de vasos linfáticos intestinais, obstrução de vasos linfáticos devido a linfoma (câncer do sistema linfático) ou comprometimento da entrada de líquido linfático na corrente sanguínea devido a alguns distúrbios cardíacos, também reduzem a absorção.

 

Como saber se estou com má absorção?

O sintoma mais comum é a diarreia crônica. Quando ocorre a absorção inadequada das gorduras no trato digestivo, as fezes ficam com cor clara, moles, volumosas, gordurosas e excepcionalmente fétidas. As fezes podem flutuar ou ficar grudadas ao vaso sanitário e dificilmente desaparecem quando se dá descarga. A absorção inadequada de determinados açúcares pode provocar diarreia explosiva, distensão abdominal e flatulência.

 

Como é feito o diagnóstico?

Através de uma avaliação médica do histórico e dos sintomas da pessoa, exames para confirmar o diagnóstico (como exames de sangue e fezes), ou, para diagnosticar a causa (como biópsia e exame diagnóstico por imagem).

 

O médico suspeita que a má absorção esteja presente quando a pessoa tem diarreia crônica, perda de peso e anemia, além de outros sinais de deficiências nutricionais.

 

A má absorção é menos óbvia e geralmente mais difícil de reconhecer em idosos do que em crianças. Exames de laboratório podem ajudar a confirmar o diagnóstico:

 

  • Exames para medir a quantidade de gordura nas fezes
  • Exame visual das fezes
  • Exames de sangue

 

O exame de fezes que mede diretamente a quantidade de gordura nas fezes coletadas ao longo de três dias é o mais confiável para o diagnóstico de má absorção de gordura, que está presente em quase todos os distúrbios de má absorção. Um resultado com mais de sete gramas de gordura nas fezes diárias é sinal de má absorção. Também estão disponíveis alguns outros exames que medem a gordura nas fezes, mas que não exigem três dias de coleta de amostras.

 

Exames de sangue e outras análises laboratoriais podem ser realizados para detectar má absorção de outras substâncias específicas, como a lactose ou a vitamina B12.

 

Assim que o médico confirmar que a pessoa apresenta distúrbio de má absorção, exames são realizados para diagnosticar a causa:

 

  • Biópsia
  • Exames de diagnóstico por imagem
  • Exames da função pancreática

 

Confira o episódio do Papo de Doutor sobre intolerância à lactose.

 

Receba nossas novidades

Preencha o campo abaixo com seu e-mail e receba todas as novidades do nosso universo em primeira mão.